Transporte de cargas – analisando o passado para entender o presente e projetar o futuro

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transporte de cargas

Escrito por wpengine

Data: 30/03/2017

O transporte de cargas é uma das etapas mais fundamentais para qualquer tipo de negócio ligado à produção ou distribuição de elementos. É somente graças a ele que o cliente, seja ele uma empresa ou uma pessoa física, poderá ter em mãos aquilo que comprou.

Com o transporte de cargas garante-se o adequado abastecimento de estoques, a entrega de produtos comprados à distância e, também, a exportação de elementos. É, portanto, a fase que coroa todas as anteriores e que proporciona grande influência na percepção que o empreendimento vai obter perante seu mercado.

No Brasil, essa operação tem algumas características únicas, e seu presente é determinado com grande força pela infraestrutura e iniciativas já apostadas no passado. Mas qual será o futuro da atividade? O que esperar do transporte de cargas? Conhecer é a melhor forma de se preparar. Veja a seguir uma análise completa sobre o tema!

1. Contexto histórico

Durante a época da colonização, o Brasil era majoritariamente ocupado no litoral. A expansão para o interior ainda era muito modesta. Então, até meados do século XIX o transporte marítimo era o mais utilizado, junto ao ferroviário.

Datada de 1854, a primeira ferrovia do Brasil ficava no estado do Rio de Janeiro. Nas décadas seguintes surgiram cada vez mais opções nesse sentido, bem no auge do período do café.

Como São Paulo era um dos maiores produtores, a estrutura se desenvolveu ao seu redor e na região Sudeste, principalmente. Muitas das cidades no interior paulista surgiram ao redor das ferrovias, assim como também aconteceu em outras partes do país.

O período do café também foi marcado pela criação de caminhos de terra para o escoamento da produção. A movimentação era feita, principalmente, com a ajuda de animais, embora essa opção, como o esperado, não fosse muito produtiva.

Até então o Brasil não precisava ter uma estrutura de transportes muito desenvolvida, porque se baseava na exportação de matérias-primas. Além disso, o país não era tão ocupado longe do litoral e as necessidades eram devidamente supridas com a matriz e os modais.

A partir do século XX as coisas começaram a mudar de figura. Por volta de 1920 — época da Primeira Guerra Mundial — o Brasil começou a montar seus primeiros carros.

Em 1925 o Brasil já contava com duas montadoras — a Ford e a General Motors. Esse foi o estopim para uma parte muito importante do desenvolvimento da matriz de transportes brasileira, já que os veículos começaram a ocupar as ruas.

Em 1950 o rodoviário ganhou mais intensidade e diversos fatores contribuíram para isso. Em primeiro lugar, Getúlio Vargas instaurou uma política nacionalista em que proibia a importação de veículos completos e de peças com produção nacional similar.

Nesse período não foi apenas a indústria de veículos que se desenvolveu no país, mas todos os demais setores. A partir de 1950 o Brasil já não tinha uma economia tão básica e se via diante da necessidade de criar novos canais de distribuição.

Na mesma década o governo de Juscelino Kubitscheck gerou uma importante interiorização do território brasileiro. A construção de Brasília no Centro-Oeste, por exemplo, mostra que era preciso chegar a novos lugares.

Somando isso à política de Vargas para a criação e desenvolvimento de rodovias, o setor começou a se desenvolver rapidamente. Não demorou muito até que se tornasse o modal preferido de transporte, tanto para a indústria quanto para passageiros.

Ao mesmo tempo, menos de 30 anos depois as principais rodovias começaram a sentir a falta de investimentos. A diminuição ou extinção dos impostos que ajudavam na manutenção e o próprio despreparo para cuidar de uma malha tão extensa colaboraram para que houvesse um sucateamento, principalmente durante a década de 90.

2. Evolução tecnológica

A evolução tecnológica no transporte de cargas sempre foi muito importante para o seu desenvolvimento no Brasil. A chegada de novos recursos permite que as possibilidades sejam exploradas e que o desenvolvimento aconteça.

Dentro da malha de transportes brasileira, isso vem acontecendo especialmente desde o século XX. Após a entrada de carros no mercado nacional, os modelos foram se aprimorando e se tornando, também, voltados para as necessidades da indústria.

Os caminhões foram se desenvolvendo e, hoje, conseguem transportar uma grande gama de produtos com necessidades diferentes.

As estradas também aproveitaram a evolução tecnológica. Começaram a ser usadas novas formas de construção, de modo que elas pudessem ser mais duráveis e mais seguras. A utilização de recursos como iluminação e mesmo câmeras também auxiliou o processo.

Porém, é importante ter em que mente que mesmo diante de tudo isso a evolução do sistema brasileiro acontece em passos lentos. Ainda que haja grande sucesso no uso de tecnologia em diversos setores, quando o elemento é a estrutura em si, as questões estão um pouco mais atrasadas.

Ainda há rodovias que sequer são pavimentadas ou que não têm o mínimo de estrutura necessária para seu funcionamento. Levar isso em consideração é fundamental porque os resultados são severamente afetados. Sem tanta aplicação tecnológica, quem usa a malha brasileira perde eficiência.

Ao mesmo tempo, há uma importante evolução tecnológica em relação às empresas, principalmente. Para tornar o transporte de cargas mais conveniente, é cada vez mais comum ver recursos altamente tecnológicos serem utilizados.

É o caso de rastreadores de veículos e sistemas de gestão completa, como planejadores de rota. Há, também, o uso de Data Science para que dados coletados sejam analisados. A partir deles, é possível ter serviços que são convenientes, econômicos e seguros.

Essas tecnologias também podem servir para melhorar e favorecer a integração entre modais diferentes. Grandes empresas exportadoras, por exemplo, podem precisar unir informações sobre o transporte ferroviário, marítimo e aéreo, de modo a ter mais visibilidade.

Esse esforço gera incrível redução de custos e um ganho importante de competitividade e qualidade. A partir do aproveitamento adequado da tecnologia, as empresas podem adquirir uma logística mais preparada e mais robusta, especialmente para lidar com os problemas.

3. O momento atual

Todo aquele cenário ajudou a compor a matriz atual de transportes no Brasil. Ter um amplo conhecimento sobre essa configuração é fundamental para, dentre outras coisas, ter uma dimensão completa de quais são os desafios impostos por essa configuração.

De acordo com o IBGE, a matriz de transportes brasileira é composta majoritariamente pela opção rodoviária. Cerca de 60% de toda a carga movimentada utiliza das rodovias brasileiras para chegar ao seu destino. As ferrovias respondem por 21% e as hidrovias, por 14%. Já o aéreo responde apenas por 0,4% de todas as situações, em parte devido aos altos custos e à falta de estrutura.

Para ter uma ideia, o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) de 2009 comparou as diversas estruturas em países de todo o mundo em relação ao Brasil.

Os Estados Unidos, por exemplo, tem uma estrutura bem distribuída: 43% de malha ferroviária, 32% de rodoviária e 25% de transporte aquaviário. Resultados semelhantes são encontrados na Austrália e no Canadá.

Por ter um território muito grande e, por vezes, de difícil acesso, a Rússia utiliza as ferrovias em 81% da matriz e 11% de transporte aquaviário. Nesse país, somente 8% da movimentação é rodoviária.

Já a China, que também é uma economia em desenvolvimento, apresenta maior transporte rodoviário: 50%. Porém, o ferroviário é de 37% e o aquaviário, de 13%.

Tudo isso mostra que, considerando o porte do Brasil e suas necessidades, a matriz de transportes ainda é muito desequilibrada. Essa priorização das rodovias sobrecarrega as estradas, que também têm que lidar com veículos de passeio. Isso gera dificuldades no cumprimento de prazos e, também, problemas em relação à segurança.

Sobre esse assunto, inclusive, outra parte da situação diz respeito ao fato de que os roubos de carga nas estradas brasileiras são, também, uma preocupação.

Em 2015, por exemplo, o prejuízo acumulado com esse tipo de roubo acumulou R$ 1,2 bilhão. A maior concentração de roubos e perda de valores é no Sudeste, onde, também, há mais rodovias e mais transportes acontecendo.

Isso leva à necessidade de uma escolha segura para a logística, de modo que todas as ações sejam planejadas visando à proteção da carga.

Embora a falta de investimentos seja uma questão histórica, o governo brasileiro continua investimento na modernização dos modais. Em 2015 o investimento na infraestrutura de transporte foi de mais de R$ 26 bilhões. As obras se concentraram principalmente nas rodovias, de modo a torná-las mais adaptadas para as necessidades atuais.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de todo esse sistema acontece em passos lentos. Isso gera o que é conhecido como Custo Brasil. Ao gerar dificuldades econômicas e físicas, há um encarecimento dos produtos e serviços.

4. Os meios de transporte

Como visto, os meios de transporte de cargas brasileiros se divide, basicamente, em três opções: ferroviário, rodoviário, hidroviário e aéreo. Esses meios possuem características próprias quanto aos recursos que são utilizados.

Os principais pontos incluem:

4.1. Ferroviário

Em geral, é utilizado para matérias-primas ou produtos ligados à indústria de base. Minério de ferro, cimento e bobinas de aço — todos eles ligados à indústria siderúrgica — tendem a compor a maioria desse meio de transporte.

São utilizadas composições de trem com vagões cujas características — como o tamanho e a forma — dependem do que será transportado. É uma opção muito adequada para fazer essa movimentação em maior quantidade, já que tende a sair mais barato.

Ao mesmo tempo, nem todos os locais contam com a devida estrutura de ferrovias. De quebra, é comum que elas sofram com isolamento, ou seja, estão distante dos principais pontos de interesse.

Isso faz com que esse seja um meio mais utilizado para transportes intermodais. Ele pode começar pela ferrovia e ser finalizado em uma rodovia, por exemplo.

4.2. Rodoviário

Sendo o meio mais popular do Brasil, o rodoviário também está entre os mais versáteis. Ele pode ser utilizado por empresas de todo os tamanhos e segmentos, indo desde indústrias de base até comércios eletrônicos.

A versatilidade também está ligada às diferentes possibilidades quanto aos elementos utilizados. Transportes deste tipo podem utilizar caminhões de todos os tipos, como os que levam vários veículos ou os que carregam produtos inflamáveis.

Essa é também uma forma bem conveniente, por causa da grande ligação entre estados por meio das rodovias federais e estaduais. Assim, há mais possibilidades de realizar a entrega exatamente no local desejado.

Apesar disso, não é o meio mais barato porque, além do combustível e dos pedágios, há custos ligados a toda a segurança e estrutura. Mesmo assim, é o meio mais desenvolvido atualmente.

4.3. Aquaviário

O meio de transporte aquaviário, por sua vez, é uma opção utilizada para o escoamento de produções que serão exportadas. Ele é especialmente empregado no agronegócio, já que permite uma movimentação em grande quantidade.

Devido às suas características, faz mais sentido deixá-lo para opções internacionais ou que tenham o objetivo de chegar a pontos de saída pelo mar. Dentro do país, vale a pena escoar produtos de uma região à outra pela via marítima se o objetivo é chegar a uma dos principais portos do país e, de lá, mandar para o cliente final.

As toneladas normalmente são levadas em contêineres e, embora não seja a opção mais rápida, é uma escolha segura e conveniente 1 já que, de outro modo, seria necessário utilizar o transporte aéreo, o qual é mais caro.

4.4. Aéreo

Por falar nela, a movimentação aérea é, sem dúvidas, uma das mais seguras e mais rápidas. Em algumas horas é possível estar em qualquer parte do mundo, o que oferece versatilidade para a logística.

O grande problema é o custo desse tipo de opção. Se para fazer o envio de exportação ele já é caro, utilizá-lo de maneira interna é, muitas vezes, inviável devido aos custos e à falta de estrutura.

Como só as maiores cidades possuem aeroportos onde aviões de carga podem pousar, é um meio menos abrangente e menos conveniente.

5. As vias de transporte

Dentro dessas possibilidades de modais, as vias de transporte possuem características específicas que devem ser levadas em consideração. Dentre os pontos mais importantes, estão:

5.1. Ferrovias

Como as ferrovias sofreram um declínio a partir de 1920, os investimentos também foram reduzidos. Isso faz com que a estrutura disponível seja muito semelhante àquela que já existia alguns conjuntos de décadas atrás.

Os trilhos de ferro são adaptados aos modelos de máquinas e vagões que já existem atualmente, de modo que uma mudança vai exigir uma transformação completa de estrutura.

Ao mesmo tempo, já começam a surgir ferrovias mais modernas e que utilizam composições mais tecnológicas e adaptadas às novas condições. Mesmo assim, a malha ferroviária ainda é muito deficiente, de modo que essas vias trabalhem mais sozinhas.

5.2. Rodovias

As estradas pelo Brasil são as vias mais cheias de veículos transportando cargas. Com isso, tende a haver um pouco mais de infraestrutura nesses ambientes. Mesmo assim, em 2011 apenas 33% das vias públicas eram consideradas ótimas. Em parte, isso se deve a problemas como vias esburacadas, opções não asfaltadas e falta de segurança, além de outras condições dessas vias.

Para tentar conter e reverter o problema, são realizados investimentos como duplicação de faixas, troca de pavimentação e aumento de segurança. Há, também, um esforço cada vez maior em criar políticas urbanas para o uso mais adequado das rodovias, como rodízio de veículos e faixas exclusivas.

Ainda há um longo caminho pela frente, de modo que seja possível conquistar um transporte mais conveniente e mais integrado.

5.3. Hidrovias

Com o não são tão utilizadas, as hidrovias ainda não possuem tanto investimento. Algumas contam com sistemas de passagem mais tecnológicos e construções estruturadas, mas muitas ainda possuem deficiências.

É o caso da hidrovia Tietê-Paraná, que teve problemas em alguns pontos devido à seca que o local enfrentou. Superado o problema, ela bateu recorde em relação à movimentação de cargas.

Esses meios também estão mais presentes em locais como no Norte do país. Como a cheia por lá dificulta ou inviabiliza o uso de rodovias, há uma dependência maior dessas vias, como observou o IBGE.

Para que elas possam ser mais bem utilizadas, será necessário realizar investimentos assertivos para ligar corretamente a bacia hidrográfica brasileira.

5.4. Aerovias

Os caminhos que podem ser percorridos pelos aviões ainda são muito concentrados no Sudeste brasileiro. É lá que estão os principais, maiores e mais movimentados aeroportos do país, inclusive em relação ao transporte de cargos.

A estrutura, nesse sentido, é um pouco maior, mas ainda não é a ideal. Ainda há deficiências ligadas à capacidade de voos e recebimento de cargas, assim como de eficiência em geral. O custo é outra questão, de modo que elas ainda não são plenamente aproveitadas.

6. Tendências para o futuro

Compreender o presente panorama do transporte de cargas é a melhor maneira para prever o que virá no futuro. Ciente das dificuldades e dos pontos que podem ser melhorados, o setor tende a se desenvolver ao longo dos próximos anos.

Dentre as possibilidades, estão:

6.1. Emprego crescente de tecnologia

O desenvolvimento tecnológico não tem influência somente na construção de modais mais modernos ou mais econômicos. Ele também pode fazer parte do planejamento e execução dos transportes, de modo que seja possível ter mais visibilidade, controle e segurança.

Isso significa que tende a ser cada vez maior o uso de recursos, como ao empregar a tecnologia para planejar melhor como será feito cada transporte. O emprego de Data Science e de inteligência artificial vai ajudar gestores a tomar as melhores decisões a respeito de como levar as mercadorias de um local para outro.

6.2. Terceirização de logística

Atualmente, as empresas ainda preferem manter suas próprias frotas e realizar o transporte por conta própria. Essa é uma opção muito onerosa, inclusive por causa da burocracia envolvida.

Para o futuro, a tendência é de que haja cada vez mais terceirização dos processos logísticos. Ao delegar essa tarefa para uma empresa de qualidade, o empreendimento pode se dedicar com mais afinco à sua atividade principal, de modo a consolidar os seus resultados.

Há negócios que, hoje em dia, já descobriram o poder de realizar uma logística profissional, mas com o aumento da competição é provável que isso se torne ainda mais intenso no futuro.

6.3. Equilíbrio dos meios de transporte

Se as rodovias respondem, hoje, por quase dois terços de todo o transporte de cargas, o futuro tende a ser diferente. Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 2025 é esperado que as matrizes rodoviárias, ferroviárias e aquaviárias correspondam a, praticamente, um terço da matriz, cada uma.

Isso vai tirar um pouco do peso sobre o transporte rodoviário e vai trazer mais possibilidades e integração. Com uma malha mais completa e mais robusta, é esperado que as empresas também tenham mais oportunidades de escoar suas cargas.

6.4. Alinhamento de processos

Uma das tendências que já vem tomando forma é o alinhamento de processos. Se, antes, o transporte de cargas era uma etapa necessária e onerosa, hoje ela é uma questão cada vez mais estratégica.

Garantir o bom atendimento ao cliente é mais importante do que nunca e, para isso, é preciso que ele possa comprar o que deseja ou, então, que possa receber no momento combinado. Essa é uma tendência que serve tanto para empresas B2B    quanto para as B2C.

Para obter a qualidade desejada, é cada vez mais esperado que os processos logísticos estejam alinhados às expectativas e atuação do negócio. É por isso, inclusive, que a terceirização para empresas especializadas vai ganhar força.

A partir desse tipo de contrato, será possível conquistar um transporte mais eficiente e devidamente alinhado com os valores e expectativas do negócio.

O transporte de cargas no Brasil tem muito a evoluir de modo a diminuir os custos, especialmente os ligados à burocracia. Falhas de investimento no passado comprometem o resultado no presente, mas é esperado um uso cada vez maior de tecnologia e de apoio profissional. Assim, a tendência é de que essa tarefa assuma uma posição cada vez mais estratégica.

Já que a logística profissional é assim tão relevante, leia agora nosso e-book sobre o panorama geral do transporte no Brasil.

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