Quatro meses depois do anúncio de sua criação, a transportadora CargoX, uma espécie de “Uber dos caminhões”, vai receber seu segundo aporte financeiro. Um grupo de investidores liderado pelo banco de investimento Goldman Sachs  decidiu investir R$ 35 milhões na companhia, que usa a tecnologia para facilitar o transporte de cargas. Com isso, sobe para R$ 49 milhões o total de recursos recebidos pela empresa desde sua fundação. A primeira rodada, de R$ 14 milhões, foi feita pelo americano Oscar Salazar, um dos fundadores do Uber, e por mais três investidores que também participam do segundo aporte – os fundos Lumia Capital e Valor Capital Group e a Agility Logistics, uma das maiores companhias de logística do mundo.

Os recursos serão usados principalmente para contratar e treinar pessoal. A CargoX tem uma equipe de 50 pessoas e planeja contratar mais cem até o fim de agosto. As vagas estão em áreas como tecnologia, vendas e operações.

“Esse investimento é muito importante em uma indústria que está praticamente destruída”, diz o argentino Federico Vega, presidente da CargoX. No primeiro bimestre, a demanda fraca levou as empresas de transporte e logística a cortarem 25,3 mil postos no Brasil, afirma o empresário, com base em dados do Ministério do Trabalho.

O modelo de negócio da CargoX visa reduzir a ociosidade no transporte rodoviário de carga. Um aplicativo interliga caminhoneiros autônomos – aqueles que são donos de seus próprios veículos – com empresas interessadas em despachar seus produtos. A expectativa é fazer com que os caminhões saiam mais cheios, com cargas de diferentes companhias. O caminhoneiro recebe mais encomendas e o cliente paga menos do que teria se tivesse de contratar um frete exclusivo. A projeção é de uma economia de até 30% no valor pago.

“Os caminhoneiros autônomos movimentam mais de 60% das cargas no país e, ao contrário do que se pensa, são muito cuidadosos, porque são os donos dos veículos”, diz Vega. Cerca de 100 mil caminhoneiros integram a base da CargoX. “Até agora, completamos mais de 3 mil viagens sem nenhum incidente, como acidentes ou roubos”, afirma o executivo.

A CargoX tem sede em São Paulo e um escritório em Mato Grosso. Com o novo aporte, planeja abrir mais três escritórios no país. O interesse no Mato Grosso é porque o Estado é uma porta de saída para a produção de grãos. “É um mercado muito bom para explorar”, afirma Vega. “Durante a safra, os caminhoneiros seguem para os portos e preferem não esperar quatro ou cinco dias para voltar, porque querem pegar mais encomendas. Por isso, voltam vazios”. O aplicativo, diz ele, ajuda a identificar cargas para o caminho de volta.

A previsão da CargoX é fechar o ano com faturamento de R$ 50 milhões. Outras rodadas de investimento estão previstas. O plano é obter mais R$ 50 milhões em aportes, completando um total de R$ 100 milhões em dois anos. “Tudo será reinvestido no negócio”, diz Vega.

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