Tipos de carga mais comuns: um panorama sobre o mercado brasileiro

Artigos

Tipos-de-carga-mais-comuns-um-panorama-sobre-o-mercado-brasileiro

Escrito por Ana Beatriz

Data: 19/01/2018

O transporte de cargas é uma atividade fundamental para manter o país funcionando nos mais variados setores, apesar de os investimentos na área ainda serem aquém do suficiente para garantir o máximo de eficiência nas operações. Além disso, ainda é necessário se preocupar com as especifidades das cargas e quais tratativas devem ser adotadas para cada uma delas.

Pensando nisso, resolvemos elaborar o artigo de hoje e falar sobre os modais de transporte, os tipos de cargas mais comuns e quais tendências podem ser esperadas para os próximos anos. Continue acompanhando a leitura para saber mais!

Quais os tipos de transporte usados no Brasil?

Existem diversos modais de transporte que são utilizados para transportar cargas no Brasil e eles possuem características distintas, atendendo aos variados tipos de cargas e objetivos das empresas. Entre eles, podemos citar:

Transporte rodoviário

O transporte rodoviário é o mais conhecido e utilizado para o transporte de cargas no Brasil — estima-se que cerca de 70% das cargas movimentadas são enviadas por esse modelo, apesar do mau estado de conservação em que as estradas se encontram.

O ideal é que ele seja mais utilizado em envios de curta distância (o que não ocorre na prática), mas tem a grande vantagem de permitir o transporte de diversos tipos de cargas, que vão desde grãos até itens perecíveis (laticínios e carnes) e produtos de alto valor agregado (como eletro e eletrônicos).

Transporte ferroviário

O transporte feito por meio das ferrovias é a melhor opção para o envio de cargas volumosas, a longa distância e que têm um destino fixo, já que ele não oferece a mesma flexibilidade de deslocamento que o modal rodoviário tem.

O custo de envio é inferior e a principal vantagem é a possibilidade de transportar os itens em grande escala ou itens mais pesados. Por outro lado, a falta de investimentos para a ampliação da malha ferroviária restringe sua utilização — e acaba sendo uma das causas para a sobrecarga do transporte rodoviário.

É a opção ideal para movimentar commodities, como produtos siderúrgicos, minério de ferro, derivados do petróleo, produtos agrícolas, entre outros. Além disso, podemos dizer que o risco de acidentes e ocorrências como furtos e roubos das mercadorias é infinitamente menor.

Transporte aéreo

As principais características do transporte aéreo são a facilidade de percorrer longas distâncias e a agilidade em concluir o serviço. Normalmente é a melhor escolha quando se trata de envios urgentes ou há a necessidade de maior segurança.

Entretanto, vale ressaltar que é uma opção bem onerosa e ainda apresenta restrições em relação ao tamanho, peso, quantidade e características dos itens a serem transportados. É ideal para realizar envio de perecíveis, medicamentos, produtos frágeis e de alto valor agregado (como joias e obras de arte, por exemplo).

Além disso, pode ser necessária a combinação com outro modal (principalmente o rodoviário) para concluir a entrega até o destino. É o caso de, por exemplo, os aeroportos ficarem na região metropolitana, mas os clientes estarem localizados em cidades mais afastadas.

Transporte aquaviário

Assim como no modal ferroviário, o aquaviário permite o transporte de grandes quantidades e também é ideal para envios de longas distâncias, como no modal aéreo. Contudo, não é a melhor opção caso a agilidade seja um diferencial. Os preços do frete são relativamente baixos, mas o custo com seguro encarece o valor final.

É uma boa opção para transportar diversos tipos de produtos, nos vários estados (sólidos, líquidos, gasosos), desde que eles estejam devidamente acondicionados e armazenados e o risco de avarias é baixo.

​Por outro lado, encontra-se muita burocracia na emissão dos documentos e no embarque das mercadorias e demanda terminais preparados para o embarque e desembarque — aspectos que têm grande influência no prazo de entrega, tornando-o maior.

Transporte dutoviário

O transporte dutoviário, como o nome sugere, é viabilizado por meio da implantação de dutos ou tubos, que podem ser subterrâneos, submarinos ou aparentes. O envio é feito por meio do controle da pressão do ar que há nos dutos e permite percorrer longas distâncias e transportar grandes quantidades com um baixo custo operacional.

Entretanto, gera um custo elevado para a implantação, requer licença para atuação e o percurso não oferece flexibilidade. Ele pode ser utilizado para transportar gases, sólidos granulares e fluídos com alta segurança e confiabilidade.

Quais as vantagens e desvantagens do transporte rodoviário?

O transporte rodoviário ainda é a primeira opção para as empresas na hora de decidir qual modal utilizar e isso se dá, principalmente, pelo custo-benefício que ele oferece. Assim como existem vantagens, há as desvantagens nesse tipo de operação. Saiba quais são elas nos tópicos a seguir.

Vantagens

É o que mais apresenta flexibilidade no envio de ponta a ponta, com uma agilidade razoável. Por meio dele, se conecta regiões, possibilitando que as entregas sejam feitas no destino final mesmo nas regiões mais afastadas — um aspecto crucial quando não há a disponibilidade ou viabilidade de outros modais.

Um dos pontos fortes também é a simplicidade da operação, que não apresenta tanta burocracia na emissão dos documentos e na liberação da carga, oferece facilidade na contratação e está sempre disponível para todos os tipos de cargas.

Entre as outras vantagens desse modal, podemos citar:

  • transporte de porta a porta;
  • rapidez nos envios de curta distância (mais vantajoso que o modal aéreo);
  • a transportadora disponibiliza o veículo no local solicitado pelo embarcador, em vez de a carga ter que ser deslocada até o local do carregamento;
  • recurso fundamental em operações multimodais e intermodais;
  • possibilidade de utilizar embalagens mais simples (com menor custo).

Desvantagens

Por outro lado, o transporte rodoviário também apresenta algumas desvantagens, que valem a pena ser mencionadas. A principal delas é o prazo elevado para longas distâncias, inviabilizando a escolha no caso de envios urgentes.

Além disso, também podemos citar as condições precárias das estradas, que podem influenciar e elevar os custos com combustível, pneus e manutenção dos veículos (encarecendo o frete) e elevando os riscos de acidentes.

Além de aumentar o fluxo de veículos em determinadas regiões, prejudicando o tráfego e causando congestionamentos, ainda vale lembrar que muitos dos grandes centros urbanos têm restrição em relação à circulação de veículos grandes.

Quais os tipos de cargas mais comuns?

Vários tipos de itens são transportados diariamente no Brasil e vão desde os mais simples até os mais caros e os que demandam uma operação mais complexa. A seguir, abordaremos os tipos de cargas mais comuns transportados e as características delas. Confira!

Cargas secas

Carga seca é o nome dado aos produtos industrializados e que não são perecíveis, permitindo que o transporte seja realizado a qualquer momento, independentemente do clima ou da estação do ano. Entre os principais exemplos, podemos citar:

  • materiais para construção;
  • alguns tipos de alimentos;
  • madeira;
  • ferragens.

Entre os veículos mais utilizados para realizar o transporte desses produtos está o caminhão-baú, com um modelo fechado. O tamanho dependerá da quantidade de cargas a serem transportadas, decisão que envolve a otimização dos custos logísticos.

Para facilitar o manuseio e a movimentação dos materiais, costuma-se utilizar paletes — que permitem realizar a unitização e aumentar a segurança dos itens, reduzindo o risco de avarias.

Cargas a Granel

Cargas a granel são aquelas que não são encaixotadas, embaladas ou ensacadas e são separadas em duas categorias: sólida e líquida.

Granel sólido

Trata-se, na maioria dos casos, de matérias-primas e produtos agrícolas, como cereais, feijão e soja. Os modelos das carrocerias necessárias para o transporte são a grade alta, graneleira ou aberta e normalmente se utiliza truck, carreta, bitrem e rodotrem para transportar os itens.

Se for possível organizar os itens em unidades, há a possibilidade de realizar o envio por meio de paletes, que facilitam o manuseio e ajudam a organizar o carregamento, além de contêineres fechados.

Granel líquido

O granel líquido, desde que não sejam produtos classificados como perigosos, corresponde a águas, sucos e outros líquidos. Eles demandam veículos específicos para transporte, que contenham carroceria com tanque de aço. Os principais exemplos são:

  • caminhão pipa;
  • carro tanque;
  • caminhão cisterna.

Cargas frigoríficas

São classificadas em dois tipos: congelada e perecível.

Perecível

Os principais exemplos de perecíveis são os laticínios, frutas e legumes. O principal empecilho para o transporte desses produtos são as longas distâncias, visto que o tempo é um fator crucial para evitar a perda e os prejuízos decorrentes dela. Nessa modalidade, os itens passam por um resfriamento, mas não chega a formar o gelo.

Esse tipo de operação requer alto investimentos em máquinas e equipamentos, além da necessidade específica de higienização, estando sujeita às normas da ANVISA. Já no que diz respeito ao transporte, é imprescindível contar com veículos que tenham um baú refrigerado, com aparelho para regular monitorar a temperatura (que normalmente fica entre 0°C e -10ºC).

Dependendo da distância e do ciclo dos produtos, parte do transporte pode ser feito pelo modal aéreo, garantindo uma redução considerável dos prazos e minimizando os riscos de perdas.

Congelados

Cargas perecíveis congeladas são aquelas que passam por redução da temperatura até chegar a formação de gelo. Os melhores exemplos para elas são o transporte de carnes, peixes, frangos e outros alimentos congelados.

Também requer um cuidado específico para acondicionamento e envio, já que envolve condições de temperatura. Os caminhões usados devem contar com um baú refrigerado, de forma a garantir o congelamento ideal e a conservação da carga até a chegada no destino. A carroceria deve ser, especificamente, um baú frigorífico (modelo fechado), com refrigeração entre -15ºC e -20ºC.

Cargas perigosas

São consideradas cargas perigosas aquelas que apresentam riscos à saúde das pessoas, à segurança pública e à conservação do meio ambiente, independentemente de serem naturais ou produzidas por meio de algum processo. Os principais exemplos são o petróleo e derivados e o gás natural.

Para transportar esses itens, deve-se contar com caminhões específicos para essa finalidade e ainda utilizar a sinalização com a classificação do risco. Além do modal rodoviário, o dutoviário se apresenta como uma boa alternativa, visto que é seguro e de baixo custo.

Cargas de cimento e minério

São muito transportadas pelo modal rodoviário e o veículo precisa contar com uma carroceria em forma de caçamba. Além disso, também podem ser enviados pelo modal dutoviário e, nesse caso, utiliza-se ar para enviar cimento e cereais, enquanto se utiliza água para enviar o minério.

Cargas de veículo

Para enviar veículos de um local a outro, utiliza-se a chamada cegonha, que é uma carroceria em forma de plataforma — ou guincho, quando se trata de reboque —, atrelada a uma carreta, truck, toco ou 3/4.

Cargas frágeis

As cargas são consideradas frágeis quando apresentam alto risco de avarias, como espelhos, vidros, cristais e outros materiais parecidos. Aqui, é necessário ter um cuidado maior na hora de embalar e movimentar os produtos e ainda sinalizar as caixas com o símbolo padrão, alertando que se trata de carga frágil.

Cargas de alto valor agregado

São joias, pedras preciosas, ouro e prata, por exemplo. Demandam uma série de cuidados com segurança, que podem envolver vigilância, blindagem, escolta armada e outros mecanismos diferenciados de segurança.

Cargas vivas

Trata-se do transporte de animais e requer muito cuidado e atenção do motorista. Para isso, é preciso contar com veículos que têm carrocerias fechadas, com entradas de ar, de forma a garantir uma boa ventilação.

Também podem ser utilizados contêineres, que são bem resistentes desde que o tamanho seja ideal para a necessidade da carga. Carreta e truck são os veículos mais utilizados para esse tipo transportar esse tipo de carga.

Cargas indivisíveis e excepcionais de grande porte

Requerem uma operação mais complexas, contando com veículos especiais com dimensões, lotação, suspensão, estrutura e direções apropriadas, visto que trata-se de grandes itens — com peso e dimensões acima dos padrões estabelecidos pelo Código de Trânsito Brasileiro.

Máquinas de uso agrícola, guindastes e transformadores fazem parte dessa categoria e demandam cuidados diferenciados durante a movimentação, carga e descarga.

Cargas de Medicamentos

O transporte de medicamentos também deve seguir uma série de cuidados e normas da ANVISA. Entre as principais:

  • a necessidade de um farmacêutico responsável pelo processo de distribuição e pela garantia do acondicionamento adequado;
  • necessidade de usar embalagens especiais para determinados itens;
  • necessidade de contar com minicontêineres refrigerados (necessários para o transporte de vacinas e insulina, por exemplo).

Devido ao excesso de burocracia envolvido nos processos, poucas distribuidoras e transportadoras estão no ramo, o que torna um nicho pouco concorrido.

O que esperar do transporte de carga nos próximos anos?

Assim como na logística, de modo geral, é possível perceber evoluções no setor de transportes ao longo dos anos e ainda esperar que mais transformações ocorram e tragam benefícios. Entre os principais:

Melhorias na roteirização e aumento da segurança

A tendência é que as ferramentas voltadas para a elaboração de rotas de entrega se tornem cada vez mais eficientes, ajudando a aprimorar o processo de decisão. Agora, com tecnologias mais avançadas, como a geolocalização, é possível acompanhar, em tempo real, a situação dos veículos.

Com isso, além de poder acompanhar se as rotas estão sendo cumpridas pelos motoristas, o transporte se torna mais seguro, visto que os gestores podem acompanhar as ocorrências e caso haja alguma, tomar decisões ágeis e, consequentemente, mais eficazes.

Essa possibilidade também acaba se tornando mais uma medida para inibir o furto e roubo de carga e o sequestro de veículos, já que pode auxiliar a polícia a identificar a localização do incidente e a do caminhão posteriormente.

Gestão virtual do desempenho

A telemetria é uma tecnologia que ajuda a coletar informações referentes ao desempenho do veículo, do motorista e das operações, de modo geral. Por meio dela, torna-se possível:

  • monitorar a temperatura da carga e dos componentes do veículo;
  • controlar a velocidade e a quilometragem percorrida;
  • identificar acelerações e freadas bruscas;
  • acompanhar o volume de combustível e controlar o abastecimento (evitando fraudes);
  • monitorar o uso e o cuidado com outros componentes do veículo.

Em outras palavras, a telemetria ajuda a melhorar o gerenciamento das frotas, possibilitando aumentar a segurança das cargas e dos motoristas, identificar oportunidades de redução de custos e ter maior controle sobre a utilização dos veículos.

Apesar de já ser uma tecnologia real, ela ainda não é tão bem explorada por muitas empresas. A tendência que podemos esperar para os próximos anos é a de que os investimentos sejam maiores.

Monitoramento via mobile

A necessidade de obter informações no menor tempo possível é decorrente da possibilidade que isso garante de obter vantagem competitiva sobre os concorrentes. Além disso, essa agilidade também ajuda a aumentar a confiança e a credibilidade perante os clientes.

Nesse sentido, os smartphones podem se tornar excelentes aliados da operação. A ideia é permitir que o monitoramento das cargas seja feito por meio do celular, permitir a coleta de assinatura dos recebedores por meio de um tablet, enviar fotos sobre avarias que ocorreram, preencher as informações no sistema, entre outras.

Tudo isso de qualquer lugar, a qualquer momento — uma possibilidade que se tornou viável graças à computação na nuvem.

Caminhões autônomos

Mesmo que não seja uma possibilidade já para o curto prazo, nos próximos anos já podemos pensar na possibilidade de encontrar veículos rodando sem que seja necessária a presença de um motorista, ou requerendo menos esforço por parte desses profissionais. Nesse sentido, podemos esperar melhorias em diversos aspectos, como:

  • mais descanso para o motorista;
  • redução no consumo de combustível (com uma direção mais adequada);
  • diminuição da deterioração do veículo (com o aumento dos cuidados).

Caminhões inteligentes

Outra grande tendência que vem ganhando cada vez mais espaço é a internet das coisas (IoT) voltada para otimizar rotinas empresariais. Dentro do contexto do transporte de cargas, há a possibilidade de deixar os caminhões o tempo todo conectados — com a empresa e, até mesmo, outros veículos.

A maior vantagem disso é a possibilidade de trocar informações em tempo real a respeito de localização, ocorrências, status do transporte, entre outros, contribuindo para que a comunicação seja fluida.

Entregas por meio de drones

Um projeto idealizado pela Amazon, a entrega por drones expandiria as opções de enviar os pedidos para os clientes que estão próximos da empresa ou do centro de distribuição — uma tendência que ainda pode levar tempo para ser adotada, devido às restrições e à burocracia que envolve as permissões para o tráfego dos equipamentos.

Por outro lado, eles podem ser utilizados para ajudar a aumentar a segurança nas áreas de carga e descarga, controlar as movimentações nas docas, entre outras ações que permitem monitorar o desempenho dos processos.

Melhorias na entrega last mile

A entrega last mile atualmente representa um grande desafio para as empresas e também é responsável por uma fatia considerável nos custos de entrega. Ela trata da última etapa de um transporte, quando a mercadoria sai do seu centro de distribuição, ou de alguma filial e vai direto para a casa do cliente.

Aqui, a tendência é aliar as melhorias à logística colaborativa, onde se torna possível contar com outros veículos e meios de entrega — como bicicletas e carros particulares (a exemplo do que acontece com a Uber, porém voltado para a entrega de produtos).

Essa é uma maneira de contornar os problemas de restrição de grandes veículos em determinados lugares e garantir que os pedidos cheguem até os clientes finais com maior agilidade. O resultado disso é o aumento da satisfação, a possibilidade de fidelização e, ainda, o aumento da vantagem competitiva no mercado.

Como podemos ver, conhecer os tipos de cargas mais comuns é fundamental para tomar decisões mais acertadas a respeito da escolha do veículo mais adequado, identificar os cuidados especiais que as cargas demandam, saber quando os custos operacionais serão maiores (em decorrência das particularidades), entre outras informações relevantes para melhorar a gestão.

Além disso, com as tendências que podemos esperar para o transporte de cargas, podemos dizer que a previsão é de melhora na qualidade dos serviços, aumentando o controle sobre os processos e otimizando a relação custo-benefício do valor pago no frete das transportadoras.

O que achou deste artigo? Aproveite e baixe nosso e-book gratuito sobre o panorama do transporte no Brasil.

FAÇA UMA COTAÇÃO COM A CARGOX

Compartilhe: