De desempregado no sul da patagônia a empreendedor de sucesso com o “Uber dos Caminhões” no Brasil

Escrito por Ana Beatriz

Data: 01/06/2016

Após superar três crises econômicas, Federico Vega cria a CargoX, conhecida como Uber dos caminhões, que hoje cresce 77% ao mês.

São Paulo, junho de 2016 – Poucos sabem, mas a trajetória profissional do empresário Federico Vega, 35 anos, pode servir de inspiração para muitos empreendedores. Ele nasceu em Puerto Madryn, uma pequena cidade  ao sul da Patagônia, na Argentina. Em 2001, mudou-se sozinho para Londres devido à recessão econômica. O recomeço na cidade grande como estrangeiro foi complicado e a mudança marcou a sua vida para sempre. “No começo foi muito difícil ter que ir embora do meu país por causa da crise, falta de dinheiro e trabalho, pois não conhecia ninguém na Inglaterra, não tinha trabalho e não falava o idioma”, lembra.

No entanto, Vega não se abateu e, pouco a pouco, foi superando  os obstáculos do novo país.  Formou-se em Ciências Econômicas e, na sequência, fez  pós-graduação em Engenharia Financeira na Universidade de Southampton (Inglaterra). Além disso,  em pouco tempo, conseguiu em Londres o  emprego dos sonhos de qualquer estudante de economia, no J.P.Morgan,  das principais instituições financeiras  do mundo, pois se especializou em uma ferramenta específica que a companhia estava desenvolvendo na época.

Durante o tempo em que ficou no banco de investimentos, Federico Vega procurou aproveitar todas as oportunidades que teve: passou por diversas áreas e cargos, iniciando como analista de risco de fundos de investimentos até ser promovido a associado Sênior, na área de vendas. Com talento e muito comprometimento, brevemente se tornou vice-presidente de vendas na Front Office da banca de investimentos, sendo responsável pelos mercados da Europa, Oriente Médio e África.

Nesse período, que durou cerca de cinco anos, dedicou-se a aprender o máximo sobre negócios e fazer networking. “Trabalhei com empreendedores bem-sucedidos, que vendiam suas empresas para os clientes do banco, ou faziam IPOs. Estar perto deles e escutar as suas histórias foi muito importante para a minha vida, e, de certa forma, aqueles executivos  foram meus mentores”, ressalta.

Mas foi a partir de constantes viagens ao Brasil, devido a seus muitos clientes na área de logística, que Federico começou a mudar sua trajetória profissional. Por aqui, conheceu várias pessoas ligadas ao setor de transportes. Então começou, periodicamente, a trocar ideias e experiências até perceber que a ociosidade da frota rodoviária é um problema recorrente nas estradas brasileiras, causando defasagem no valor de frete pago, custos elevados de transporte para os embarcadores e um desequilíbrio entre oferta e demanda de caminhões e fretes.

Mesmo com carreira sólida no setor financeiro, Vega resolveu se arriscar em um novo segmento e começou a empreender no mercado de logística. E fundou o seu primeiro negócio nesse setor, um aplicativo para conectar fretes a caminhoneiros.

Meu sonho sempre foi criar uma empresa grande e duradoura, e acredito que a indústria de transportes é uma das maiores na América Latina. Ela representa uma grande oportunidade pela falta de inovação”, afirma o empresário.

Com o sucesso do app e motivado pela grande oportunidade de mercado, Federico Vega criou outra companhia chamada CargoX, considerada a “Uber dos caminhões”. Lançada oficialmente em março deste ano, é a primeira transportadora do Brasil sem frota própria, baseada em tecnologia e inovação, operando conectada em tempo real, por meio de um sistema próprio, a uma rede de mais de 100 mil motoristas autônomos, estes que passam por um rigoroso processo de seleção e treinamento. Segundo o empresário, o serviço da empresa é capaz de gerar redução de até 30% no valor do frete para o embarcador. “A CargoX nasceu porque identificamos que uma das maiores e mais complexas indústrias do mundo opera com estrutura muito ineficiente, com 40% de capacidade inativa, e que ainda não passou por uma transformação tecnológica, como diversas outras indústrias já passaram no país”, explica.

De acordo com Federico, o negócio já caminha para o sucesso, uma vez que a CargoX tem apresentado crescimento mensal superior a 77% e a expectativa é de que fature mais R$ 48 milhões neste primeiro ano de funcionamento.  Atualmente emprega mais de 50 pessoas, em decorrência dos bons números, o empreendedor revela que as próximas etapas da companhia são abrir mais 100 vagas nos próximos dois meses  e escritórios no Mato Grosso e região Sul do Brasil, assim como continuar investindo em novas tecnologias, benéficas aos clientes e de maior segurança para as viagens.

Federico Vega superou três crises econômicas: a primeira foi na Argentina em 2011, que quebrou o seu país. Ainda na J.P .Morgan, passou pela de 2008, do mercado imobiliário nos Estados Unidos, e no Brasil arriscou em criar uma empresa em plena a recessão atual. Ele acrescenta que sua mesma visão e coragem em estabelecer um novo negócio no país, distante de sua área de atuação e até mesmo de seu país de origem, em momentos difíceis, deveria servir de alento tanto para atuais como futuros empreendedores.  “Acredito que o próximo Facebook, Uber ou Google podem ser criados no Brasil, ou em qualquer país  sul-americano”, confia o empreendedor.